“Lado B” do Instagram tem venda de armas, pornografia e ciberbullying

Hábitos como postar foto de comida ou das poses fofas do bichinho de estimação já são corriqueiros com o sucesso do Instagram, rede social de fotos comprada há um ano pelo Facebook. Mas o que nem todos conhecem é o “lado B” do aplicativo: compra e venda de armas, pornografia, apologia a distúrbios alimentares, ciberbullying e spams, entre outras atitudes não muito bem vistas pela “comunidade” do aplicativo e até mesmo proibidas pelo serviço.

guns23n-2-webConheça a seguir como os usuários colocam em prática esse “lado B” da rede social. Procurado, o Instagram não retornou o contato da reportagem até sua publicação.

Venda de armas

  • Reprodução/InstagramVia hashtags, usuários fazem ofertas de armas e munições. A rede social não dispõe de proibições à prática em seus termos de uso

Como ocorre: A prática tem sido cada vez mais comum entre usuários do Instagram nos Estados Unidos. Por meio de hashtags sobre venda de armas, eles publicam fotos com ofertas e conseguem chamar a atenção de possíveis compradores. Entre as ofertas, estão rifles, pistolas, munição e até fuzis.

Nos EUA, não há uma lei federal que proíba a venda online de armas. Segundo especialistas, ela acaba abrindo espaço para o comércio ilegal, já que não são conferidas, necessariamente, informações como antecedentes criminais ou verificação de licença para o porte de arma.

O que diz o termo de uso do Instagram: A rede social não dispõe em seus termos de uso uma política que proíba a venda de produtos ou a exibição de suas fotos. Quanto a conteúdo violento (não necessariamente uma foto de uma arma será caracterizada assim), a única ressalva do Instagram é em relação a  “fotos ou vídeos de extrema violência ou com muito sangue”, que podem fazer uma conta ser desativada e a pessoa denunciada às autoridades.

No Brasil: A reportagem do UOL Tecnologia não localizou anúncios brasileiros de venda de armas. Segundo Coriolano Almeida Camargo, presidente da Comissão de Direito Eletrônico e Crimes de Alta Tecnologia da OAB-SP, o uso do Instagram apenas para a exibição das fotos de armas não poderia ser considerada um crime.

“O comércio por si só, também não pode ser caracterizado crime, uma vez que a arma pode ser adquirida para ser usada e licenciada conforme a legislação em vigor do respectivo país”, comenta.

Já nos casos de armas de uso restrito das Forças Armadas, traficadas ou usadas sem autorização de porte, a prática é criminosa.

Apoio a distúrbios alimentares

  • Reprodução/InstagramMesmo com restrição, usuários burlam bloqueio do Instagram e publicam apologia a distúrbios alimentares

Como ocorre: A existência de apoiadores de distúrbios alimentares como anorexia e bulimia não é algo novo na internet. Há uma série de blogs e fóruns que “incentivam” a dieta extrema de quem sofre das doenças, as quais podem levar à morte. A prática infelizmente acabou chegando também à rede social de fotos.

A rede “censura” alguns termos ligados aos distúrbios alimentares: ao buscá-los, nenhum resultado aparece para o usuário. Mas, mesmo com o bloqueio às hashtags como “thinspo” (de “thinspiration” ou “inspiração fina”), pessoas usam termos “disfarçados” para postar o conteúdo, alterando sua grafia.

O Instagram passou a colocar um alerta que aparece assim que o usuário tenta acessar hashtags como “ana” e “mia” (abreviações comuns de anorexia e bulimia, respectivamente) ou os próprios termos grafados inteiros.

“Esteja ciente de que estas imagens podem conter conteúdo explícito. Para informações e suporte a distúrbios alimentares, toque em Saiba mais”, sugere a mensagem.

Caso acesse o “Saiba mais”, o link leva ao site da Associação Nacional de Distúrbios Alimentares norte-americana – mesmo para casos de hashtags buscadas em português. O usuário ainda pode, no entanto, escolher acessar o conteúdo da hashtag. Isso porque o Instagram considera que esses termos podem levar a conteúdo legítimo com o alerta e conscientização sobre as doenças.

  • Reprodução/InstagramAntes que usuário acesse imagens sobre a anorexia, há um aviso sobre o conteúdo explícito

O que diz o termo de uso do Instagram: Há cerca de um ano a rede social mudou suas “Diretrizes de comunidade” para proibir a apologia à autoflagelação. “Qualquer conta descoberta incentivando ou incitando usuários adotarem a anorexia, bulimia ou outros distúrbios alimentares; ou a se mutilarem, se ferirem ou a cometerem suicídio, resultará na desativação da conta sem aviso prévio.”

No Brasil: Segundo Cristina Sleiman, advogada especialista em direito digital, não há na legislação brasileira a tipificação como crime da apologia aos distúrbios alimentares. “Na esfera cível, no entanto, seria possível entrar com uma ação contra quem faz a apologia, porque de certa forma está causando dano a alguém”, explica Cristina.

Um exemplo, diz ela, seria o caso de uma mãe que descobre que a filha está sendo influenciada por aquilo que é publicado. “Ainda assim, vai depender muito do que a pessoa escreveu, do tipo de imagem exposta, se o incentivo foi mais ‘pesado’ e de como o juiz interpretará o caso.”

Ela recomenda a quem pretende entrar com uma ação desse tipo que registre, antes de tudo, uma ata notarial em qualquer cartório com as telas da conta do Instagram em questão. Ela afirma que assim as imagens se tornam “uma prova atemporal” da prática.

Pornografia

  • Reprodução/InstagramAlterando ”ligeiramente” a grafia de hashtags, usuários postam fotos nuas no Instagram

Como ocorre: Embora o Instagram censure uma lista grande de hashtags que podem levar a conteúdo pornográfico, muitos usuários conseguem burlar a restrição. Isso porque alguns termos podem ter sentido ambíguo (e a rede acaba optando por mantê-los acessíveis), enquanto outros têm a grafia alterada, como no caso dos distúrbios alimentares.

Nick Drewe, autor do blog “Data Pack”, especializado em redes sociais, fez uma pesquisa por hashtags censuradas pelo Instagram e afirma que “uma centena” delas voltou a ficar disponível nas buscas.

Um dos exemplos é a palavra “sex” (sexo, em inglês). Ela continua bloqueada, mas termos compostos com ela (como “The Sex Pistols”, banda britânica) voltaram a serem “buscáveis”. Com isso, abre-se uma brecha para o conteúdo pornográfico na rede.

O que diz o termo de uso do Instagram: A rede social é rígida quanto à questão nos termos do serviço e “se reserva ao direito de desativar ou interromper o acesso temporariamente a perfis que mostrem nudez ou conteúdo adulto“. A regra vale tanto para a foto do perfil quanto às imagens publicadas na timeline.

  • Reprodução/InstagramAo buscar pela hashtag ‘sexo’ no Instagram, nenhum resultado aparece. Isso ocorre com alguns termos ‘bloqueados’ pela rede social

Nos termos de serviço, o Instagram afirma que as publicações estão visíveis para pessoas a partir de 13 anos de idade e, além disso, precisa manter o “produto e seu conteúdo de acordo com a classificação na App Store para nudez e conteúdo adulto”.

“Se você não mostraria a foto ou o vídeo a uma criança, ao seu chefe ou aos seus pais, você provavelmente não deveria compartilhá-lo no Instagram”, diz o texto.

Ciberbullying

  • Reprodução/InstagramAssim como em outras redes sociais, há quem pratique intimidação virtual pelo Instagram, usando perfis falsos e o campo de comentários

Como ocorre: Assim como em outras redes sociais, os agressores criam perfis dedicados à intimidação online de um ou mais colegas (de escola, universidade e trabalho). Em um caso recente, ocorrido em Charlotte (EUA), a página publicava capturas de tela de fotos das vítimas achadas em seus perfis, acrescidas de comentários sexuais ou pejorativos.

O que diz o termo de uso do Instagram: Não há menção específica sobre punições a comportamentos abusivos desse tipo nos termos de uso da rede social. Mas o Instagram mantém um tópico sobre o assunto esugere que o usuário bloqueie o agressor online para “encerrar qualquer tipo de comunicação” com ele.

Também é possível denunciar o perfil caso ele esteja em desacordo com as “Diretrizes de Comunidade e Termos”. Já no caso de abuso repetitivo, o usuário pode denunciar diretamente o perfil do agressor ao Instagram para análise na página “Hate Accounts“. Isso não garante, no entanto, a exclusão do perfil. Isso só ocorre se ele violar os termos de uso do serviço.

Spam

  • Reprodução/InstagramOndas de spam de tempos em tempos inundam a rede social de fotos; várias hashtags usadas por spammers foram banidas

Como ocorre: Uma das grandes pragas da rede social são os spams. De tempos em tempos eles inundam as buscas do aplicativo, principalmente quando você procura termos populares. Em uma dessas ondas recentes, imagens de frutas inundaram o Instagram, com a promessa de uma “dieta milagrosa”. A foto levava a um perfil com um link malicioso que, ao ser acessado, fazia o perfil da vítima compartilhar fotos de frutas também.

Tantos ataques de spam fizeram com que o Instagram bloqueasse algumas hashtags “inocentes”, porém bastante usadas pelos spammers. Entre elas estão ”iPhone, iPhone 4S, iPhoneography, Instagram, I Love My Instagram” e até mesmo o termo “popular”.  A rede também acrescentou um botão para denúncia de spam nas imagens publicadas.

O que diz o termo de uso do Instagram: A rede social não permite a prática de spam, que inclui, além de comportamento autopromocial em imagens de qualquer tipo, “comentários repetitivos, manipulação do serviço para se autopromover, comentários de spam comerciais, como códigos de desconto ou URLs para sites”. Assim como no caso da pornografia, as imagens podem ser excluídas e o perfil pode ser bloqueado ou até mesmo apagado da rede.

“Pedimos que você mantenha suas interações no Instagram significativas e verdadeiras”, apela o texto do termo de uso.

 

Via UOL

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