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UOL: Tablet antes de dormir pode ser tão prejudicial ao sono como café, diz pesquisadora

Um estudo recentemente divulgado pelo LRC (Centro de Pesquisas de Iluminação) do Instituto Politécnico Rensselaer, em Nova York, indica que a iluminação dos computadores modelo tablet pode afetar a qualidade do sono dos usuários. De acordo com a pesquisa, o impacto está associado à forma como essas fontes de luz afetam a produção de melatonina (hormônio produzido sob condições noturnas, que teria a função de regular o sono).

Em entrevista por e-mail ao UOL Tecnologia, Mariana Figueiredo, líder do estudo, afirmou que o impacto pode ser parecido com o de uma xícara de café antes de dormir. Ela também ensina como identificar os “inimigos do sono” e dá dicas para minimizar o problema. Segundo a pesquisadora, tamanho, brilho e a forma como se usa o eletrônico podem servir como alerta: quanto maior, mais claro e mais perto, pior.

O estudo tem duas versões: a primeira, de 2011, considerou apenas telas de computadores tradicionais. A segunda, de 2012, levou em conta as telas de tablets.

Brasileira naturalizada norte-americana, a arquiteta de 43 anos vive há 16 anos nos Estados Unidos —  onde, no Instituto Politécnico Rensselaer, fez mestrado em Ciência da Iluminação, tem PhD em Ciência Multidisciplinar e dirige o Centro de Pesquisas de Iluminação. Confira abaixo os principais trechos da entrevista.

UOL Tecnologia – Seu estudo mais recente considera a luz vinda de tablets como prejudicial ao sono. Outros eletrônicos têm esse mesmo efeito?

Mariana Figueiredo – É importante notar que só vimos uma pequena redução nos níveis de melatonina após duas horas de exposição a um equipamento [tablet] com brilho no máximo. Exposições mais curtas e com brilho mais fraco podem não ter esse mesmo impacto.

Para os humanos, a escuridão indica que é hora de dormir: isso acontece quando os níveis de melatonina aumentam, cerca de duas horas antes do horário que geralmente dormimos. Mas alguns tipos de luz podem interromper a produção de melatonina, prejudicando o sono.

Também vimos uma pequena, mas não significativa, redução nos níveis de melatonina após duas horas de exposição às telas de computador [desktop]. O uso por períodos mais longos de telas maiores e com mais brilho, como as de laptops grandes, podem ter impacto maior.

Com base em nossos cálculos, telefones celulares não afetam o sono porque emitem pouca luz. Aparelhos de TV também não, possivelmente porque as pessoas se sentam longe da tela, ao contrário do que acontece com tablets ou laptops.

UOL Tecnologia – Como identificar um aparelho eletrônico que possa causar esses problemas? Existe alguma especificação técnica para isso?

Mariana – Apesar de ser difícil fazer essa identificação, podemos dizer que tamanho (quanto maior e com mais brilho) e a forma como se usa o eletrônico (perto ou longe) determinam se aquele gadget pode causar problemas.

UOL Tecnologia – No que a luz dos eletrônicos difere de um abajur, por exemplo?

Mariana – Ao contrário da lâmpada do abajur, os tablets usam diodos de emissão de luz e outras tecnologias que emitem ondas de curto alcance. Além disso, os tablets são usados mais próximos dos olhos do que as lâmpadas, fazendo com que mais luz chegue à retina.

UOL Tecnologia –  O Kindle (leitor digital da Amazon) não tem luz em sua tela. Dessa forma, é possível dizer que ele não causa impactos ao sono?

Mariana – Sim. Como o Kindle não emite luz, ele não deveria impactar os níveis de melatonina. Mas, se esse equipamento for usado em ambientes muito claros, a luz pode ser uma preocupação.

UOL Tecnologia – O iPad tem um recurso de leitura de livros (eBook) que deixa a tela do tablet preta e as letras brancas. Isso reduziria o efeito dos transtornos causados no sono?

Mariana – Sim, essa é uma das soluções que propomos.

UOL Tecnologia – Como minimizar esses efeitos se o usuário insiste em dormir com seu gadget?

Mariana – Reduza o brilho do eletrônico ao nível mais baixo. Use o gadget longe do rosto para reduzir a luz na retina e opte pelo fundo preto com letras brancas [como no caso do eBook, leitor de livros da Apple]. Também é uma opção usar filtros laranjas que impedem as ondas de curto alcance (menos de 520 nanômetros) de passar [veja abaixo imagem do teste].

UOL Tecnologia – Quanto tempo antes de dormir os usuários deveriam parar de usar seus gadgets?

Mariana – Ao menos duas horas, se o equipamento inibe a produção de melatonina. Mas, mesmo se o gadget não emitir luz suficiente para isso, o sono pode ser afetado se a atividade realizada antes do sono for muito empolgante ou estressante.

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